Carinho e firmeza com os filhos – Parte 2

Conseguir que os filhos mudem de conduta e de hábitos não é um processo fácil e menos ainda repentino, mas é perfeitamente possível. O objetivo do livro recomendado é oferecer pontos de referência e apoio aos pais, e estes devem ter em mente que a sua capacidade de persuasão é a arma mais eficaz para alcançar o nível necessário de comunicação com os filhos.

Antes de começarmos a estudar alguns métodos para melhorar o comportamento dos filhos, convém avaliar a forma como reagimos habitualmente quando não nos dão ouvidos ou nos “tiram do sério”, deixando-nos com uma sensação de frustração e impotência.

Respostas inseguras

Afirmações ineficazes:  “Pedi que você arrumasse o quarto e você ainda não fez o que eu pedi. Você nunca me dá bola!” (e o filho ignorando a mãe). 

O pedido da mãe para que o filho arrume o quarto, seguido pela queixa de que ele não lhe dá ouvidos, enfraquece a sua autoridade, permitindo que o filho simplesmente a ignore. Se perseverarem nessa atitude, os pais, ao invés de educarem, estarão negociando de igual para igual, o que é inadmissível pois a criança precisa entender a autoridade dos pais.

Respostas agressivas: A atitude agressiva dos pais representa uma equivocada mistura de autoritarismo com incapacidade de conseguir que os filhos se comportem adequadamente.

Falar com os filhos de forma exaltada: Quanto mais você gritar com seu filho, mais transmitirá a sensação de fraqueza e descontrole e menos autoridade terá. 

Frases que rebaixam os filhos ou que revelam falta de autocontrole e ameaças sem conteúdo: “Você é uma praga! É um sem-vergonha irresponsável!” As formas verbais que humilham os filhos são formas improdutivas e até perigosas de agir, pois não fazem com que o filho compreenda as razões pelas quais se deve portar bem. Podem inicialmente levar à submissão, mas depois dão lugar à rebeldia e talvez a problemas futuros de baixa autoestima.

Castigos excessivos ou físicos:  Quando o castigo é excessivo, muitas vezes os pais fazem “marcha a ré”, o que transmite a mensagem de que não vale a pena levá-los a sério, pois são incoerentes. No caso dos castigos físicos, os puxões de cabelo, beliscões, empurrões ou tapas são quase resultado de uma explosão paterna impensada e têm um efeito extremamente negativo sobre a educação da criança, levando-a a se sentir desorientada e rejeitada.

Comunicação eficaz

Vejamos agora a forma eficaz de se comunicar com os filhos. Os princípios consistem na aplicação constante e coerente de um misto de senso comum, carinho, calma e firmeza para conseguir que os filhos percebam e entendam a mensagem que se pretende transmitir-lhes, e assim, estejam mais dispostos a acolhê-la. 

Linguagem assertiva e clara:

“Quero que você arrume o quarto NESTE EXATO MOMENTO!”

“Pare de perturbar seu irmão AGORA.”

Falar direta e assertivamente não deixa dúvidas sobre o que queremos que eles façam. Isso lhes transmite segurança, pois nada é melhor para eles do que ver que os pais têm personalidade e firmeza. Evite frases vagas e imprecisas como “comporte-se como um menino da sua idade”, que são meramente a expressão de um desejo e não transmitem nenhuma instrução precisa.

Mensagens sem palavras: Olhar nos olhos da criança enquanto se fala aumenta a eficácia de qualquer mensagem, pois reflete o carinho e a firmeza que há por trás daquilo que se diz. 

O autor apresenta um pequeno roteiro para que as palavras tenham mais força comunicativa:

Nunca levante a voz ao pedir ou dar ordens

Fale sempre em tom firme, mas calmo;

– Transmita tranquilidade ao dar uma ordem ou instrução, o que demonstrará que é você quem controla a situação;

– Fale sempre com os filhos olhando-os nos olhos;

– Coloque a mão sobre o ombro da criança enquanto lhe fala olhando-a nos olhos. Isso fortalecerá a mensagem, transmitindo com sinceridade a sua determinação em ajudá-la.

Controle das discussões: Técnicas para lidar com os filhos

Existem técnicas para lidar com os filhos que argumentam e tentam criar desculpas para ignorar a ordem paterna, em uma tentativa de iniciar uma discussão: Técnica do Disco riscado; Técnica do Nevoeiro; Técnica da Interrogação negativa; Técnica da extinção; Técnica do Tempo fora; e Técnica do Compromisso viável. Para os pais que quiserem conhecer melhor as técnicas, é recomendável adquirir o livro, em que são apresentadas de forma detalhada e como utilizá-las.

É muito importante, quando o filho escutar, obedecer e colaborar, que os pais reajam com alguma forma de reconhecimento, o que incentivará a criança a perseverar no bom comportamento. Um elogio ajuda a fortalecer a autoestima, além de ensinar condutas apropriadas. É preciso ter em conta que o bom estado emocional das crianças requer que elas tenham confiança em si mesmas. Além dos elogios verbais, os elogios não-verbais também comunicam seu apoio e reconhecimento, como um abraço, um sorriso, um gesto ou um toque sobre o ombro.

Outro ponto importante é que os pais devem trocar ideias sobre o comportamento dos filhos e estejam muito bem alinhados, atuando juntos, um dando suporte ao outro. Dessa forma reforçarão a sua autoridade como pais e não deixarão a impressão de que podem recorrer a um ou a outro, dependendo da situação. 

Foram abordados nesta resenha alguns pontos citados pelo autor, porém, caso o artigo tenha despertado interesse no assunto, é recomendável a leitura do livro Carinho e firmeza com os filhos, do autor Alexander Lyford-Pike. É um guia prático para auxiliar em nossas condutas com as crianças.

A disciplina positiva é a maneira mais recomendada para lidar com os filhos, através de empatia e carinho, entendendo que as crianças possuem necessidades em todas as dimensões, mas principalmente na emocional. Os pais que sabem agir com tranquilidade, paciência e principalmente carinho, permitem que a criança entenda que é amada e se sinta segura, garantindo confiança nesse relacionamento tão importante para colher os frutos que mais almejamos: criar indivíduos fortes, responsáveis e seguros de si, mas, principalmente, felizes! 

– por Monique Osawa Gonçalves