Os 4 temperamentos-parte 4

Fleumático (FRIO E ÚMIDO): Esse temperamento vem do elemento água.  São sensíveis, intuitivos, entendem os outros. Em uma reunião, por exemplo, enquanto os coléricos, sanguíneos e melancólicos estão brigando, o fleumático não se envolve: procura entender e explicar o que está acontecendo.

Pais fleumáticos tendem a ser mais calmos, gentis, pacientes, abominam conflitos, não perdem a cabeça com facilidade. Tendem a valorizar a harmonia, a paz e a cooperação na casa.

O fato de odiar conflitos pode ser bom ou ruim ao mesmo tempo, pois os pais com esse temperamento têm uma tendência a não cobrar, não exigir, não reprimir o filho quando necessário, e a minimizar os problemas. Como entendem tudo e não entram em conflito, e por não terem a qualidade de levar a criança a altas expectativas, os pais fleumáticos acabam não exigindo tanto dos filhos, não os ajudando a crescer e se desenvolver. É preciso despertar o desejo de ser amado não apenas pelo temperamento gentil, mas por ajudar a criança a atingir o máximo possível da sua potencialidade.  O desafio do fleumático é conseguir expressar preocupação, simpatia, raiva e tensão em determinadas situações, deixando um pouco de lado a sua característica de pensar, envolver e elaborar melhor as coisas. 

As crianças com esse temperamento são organizadas e calmas, têm grande capacidade de complacência ou tolerância. Mas exigem certo cuidado: não é bom colocar metas baixas para elas. Como sempre respondem bem, os pais costumam pensar que nada de errado pode acontecer, deixando-as à vontade. É preciso sempre exigir mais da criança fleumática. 

A criança fleumática, quando é repreendida, volta-se para dentro, se interioriza sem ter absorvido nenhuma estrutura. Como educar alguém que não aprende rápido, não concentra, possui um profundo universo interior e uma dificuldade enorme de fixar e estruturar? A resposta tem relação com o comando e a autoridade. Elas precisam de pais fortes, que as conduzam, exigem bastante atenção, não por causarem problemas, mas por precisarem de um apoio para se estruturar. 

Adultos fleumáticos eficientes e bem esclarecidos normalmente tiveram pais ou bons exemplos quando crianças, pessoas às quais puderam aderir e se envolver, e de cuja personalidade puderam absorver alguns aspectos. A partir do momento em que compreende que precisa ter boas influências, o fleumático se cerca delas, lê bons livros, ganha forma e acaba se tornando uma pessoa extraordinária. Por outro lado, um fleumático mal conduzido que começa a conviver em ambientes ruins, repleto de maus exemplos, também adere à sua personalidade, se não souber diferenciar entre o que é certo e o que é errado.

Por isso, a melhor maneira de lidar com crianças fleumáticas é através do exemplo. Se o ambiente for ruim, ela será má; se estiver em um ambiente bom, será boa. Ela é como a água, pode ser suja ou cristalina, depende do que se joga nela. O fleumático só adquirirá consistência conforme for envelhecendo e amadurecendo, na medida que encontra uma forma estável. Mais do que as pessoas de qualquer outro temperamento, as crianças fleumáticas são um espelho e, com muita paciência e carinho e com o bom exemplo dos pais, elas irão adquirir a forma desejada.

E assim finalizamos um resumo sobre os 4 temperamentos!

Caso essa resenha tenha despertado curiosidade em se aprofundar no assunto, é recomendável a leitura do livro “Os 4 Temperamentos na Educação dos Filhos”, de Ítalo Marsili. No livro, o autor apresenta diversas outras abordagens, como as motivações, a combinação entre pais e filhos de cada temperamento, entre vários outros aspectos de uma maneira muito mais completa.

É importante nunca nos esquecermos de que o temperamento é somente um dos elementos que compõem as condições de nossa vida – além da educação que tivemos, da cultura em que estamos inseridos, das características genéticas, dos eventos que aconteceram conosco. O estudo dos temperamentos contribui para a educação dos filhos e para auxiliar as crianças em suas dificuldades na medida em que é integrado numa compreensão geral de sua situação.

– por Monique Osawa