Os 4 Temperamentos – parte 3

Melancólico (FRIO E SECO): Esse temperamento vem do elemento terra. As pessoas que possuem esse temperamento tendem a ser metódicas, organizadas e centradas em todas as áreas, tanto práticas como emocionais. 

Pais melancólicos são sacrificados, leais, detalhistas, analíticos, sensitivos e perfeccionistas. Organização é o seu lema, e buscam normalmente a disciplina, a ordem e a organização. As casas das pessoas com esse temperamento são mais silenciosas, arrumadas e limpas. 

O lado negativo desse temperamento é que, quando o ambiente não está organizado como de costume, as pessoas com esse temperamento tendem a sofrer, ficar deprimidas e ansiosas. Querem que os filhos rendam o máximo possível e sabem que, se tiverem uma estrutura bem disciplinada, progredirão com muito mais tranquilidade. Porém, têm dificuldade em compreender e aceitar que as coisas começam, crescem e só depois ficam perfeitas. Possuem extrema dificuldade em se adaptar às situações, o que pode bloquear sua capacidade de interagir com os filhos, distanciando-se possivelmente deles.

As crianças com esse temperamento, nos primeiros anos, se comportam bem, atendem às ordens e obedecem a estrutura. São alegres, adoram pular e brincar como qualquer outra criança e não costumam perturbar o ambiente. São crianças que estão sempre absorvendo as informações, e, quando são repreendidas, não reagem imediatamente. É preciso estar muito atento, pois tudo que essa criança recebe fica guardado.

Se, por outro lado, os pais não estão atentos a esse temperamento e reagem exageradamente aos erros da criança, ou se não dão a atenção de que o melancólico precisa, esse filho pode aprofundar suas percepções sobre os adultos sem que eles saibam. Se uma bronca foi indevida ou injusta, ele a absorve e constrói uma imagem dos interlocutores. No entanto, a criança não expressa essa conclusão, e, de repente, os pais se dão conta de que o filho está distante. Podem chegar à adolescência e à vida adulta sem uma conexão firme com a família, que sequer desconfia do motivo, pois costumava ser uma criança tranquila e pacífica.

O que podemos fazer com uma criança melancólica é estabelecer conexões desde o início. Fazer carinho espontaneamente, ser justo, deitar junto na hora de dormir, abraçar, beijar, conversar, enfim, fazer parte do universo do melancólico. Mudar um adulto mal formado será muito difícil, exige extrema paciência, delicadeza e uma perícia acurada. Os melancólicos não possuem uma inclinação à tristeza, mas sim à profundidade e à cristalização. 

Se os pais não tiverem uma intenção positiva na educação, emitindo ativamente a bondade, sua antena parabólica captará os ecos negativos. Porém, se tiverem esse cuidado e injetarem ativamente os caracteres da esperança, do amor, da atenção e da tranquilidade na educação, terão uma joia nas mãos. Os pais devem demonstrar essa empatia e orientar a criança à resolução. Contar suas próprias dificuldades e superações pode ajudar muito, pois ela precisa, a todo momento, de razões para ter esperança. A motivação é a principal função dos pais de crianças melancólicas.

por Monique Osawa