Os 4 Temperamentos – parte 1

Os 4 Temperamentos na Educação dos Filhos, de Ítalo Marsili

Por que agimos de determinada maneira com nossos cônjuges, filhos, familiares, amigos e colegas de trabalho? O que nos leva a tomar certas atitudes e decisões? 

Normalmente não paramos para refletir sobre nós mesmos, seja pela correria do dia-a-dia, por falta de tempo, por não achar que essa tarefa seja tão importante, ou simplesmente por não saber por onde começar.

Entender os 4 temperamentos é um exercício maravilhoso de autoconhecimento. É possível entender a si mesmo, exercer empatia com as pessoas com quem convivemos e tentar lidar da melhor maneira em cada situação. Pode ajudar a entender fortalezas e fraquezas, pontos positivos e negativos, e principalmente ajudar e lapidar o nosso relacionamento com as crianças, entendendo e compreendendo melhor determinados comportamentos e atitudes. Desse modo, é possível canalizar o que cada um tem de melhor, trabalhar o que precisa ser aperfeiçoado, tanto nos outros como em nós mesmos. 

A ciência dos temperamentos é muito útil para a compreensão da interação humana, e é uma ferramenta de educação bastante eficaz para pais, famílias e professores. A partir da observação da criança, pode-se identificar seu temperamento e, assim, entender e prever algumas situações, expectativas e comportamentos.

Dentro da proposta da Educação Personalizada temos a formação integral do indivíduo nas 5 dimensões (física, cognitiva, emocional, social e transcendental); o protagonismo dos pais com a integração família e escola; e a excelência humana e acadêmica através da formação do corpo docente nos aspectos pedagógico, antropológico e humano. Assim, com a parceria escola e família, a compreensão dos temperamentos contribui muito para um melhor desenvolvimento intelectivo e emocional da criança. 

Mas não se pode confundir temperamento e personalidade:

O temperamento é uma estrutura mineral, da psicologia humana, uma estrutura fixa, que não muda. É como se nascesse junto com a pessoa. A personalidade é vegetal, pois cresce, muda e se desenvolve. Assim, o vegetal está plantado no solo, e a forma como esse solo (o temperamento) é tratado está diretamente ligada ao crescimento da estrutura vegetal (a personalidade). 

Dito isso, vamos entender um pouco sobre os elementos, e de onde nasce a ideia dos quatro temperamentos:

  • O elemento fogo pode causar calor, agitação, energia e entusiasmo, ou, se não for bem controlado, pode provocar destruição; 
  • O ar é um elemento leve, solto, que dispersa; 
  • A água derrama, se agita, evapora ou congela, dependendo do estímulo causado nesse elemento. É um elemento envolvente e aconchegante;
  • A terra significa firmeza, estabilidade, que se materializa. 

        Vamos, então, aos temperamentos:

         Colérico (QUENTE E SECO): Esse temperamento vem do elemento fogo. De uma forma geral, as pessoas com esse temperamento são expansivas, têm a capacidade de liderar, são extrovertidas, leais e assertivas. Não tomam decisões para agradar os outros, mas para perseguirem seus objetivos e ideais.

Pais com esse temperamento possuem convicções firmes, são protetores e tentam sempre despertar o que há de melhor no seu filho. São entusiastas e gostam de desafios, e por isso estão sempre procurando estimular as crianças, para que elas se superem. 

O lado negativo desse temperamento é que, quando não está bem controlado, pode gerar reações agressivas com as pessoas ao seu redor, por sua postura impositiva e autoritária. Sabendo-se disso, é possível melhorar esse temperamento, trabalhando a forma de conversar com as crianças e as pessoas de uma maneira geral.

Crianças com esse temperamento possuem o ímpeto da liderança, e querem estar sempre na dianteira e à frente do processo. São crianças que não lidam muito bem com autoridade. Tendem a ser mais encrenqueiras, a debater mais, a querer ocupar os espaços físicos e estabelecer um limite, devido à falta de domínio corporal. Para ajudar as crianças nesse ponto, aulas de psicomotricidade, judô, karatê podem auxiliá-las a entender que o limite físico não é tão fixo assim.

É importante que os pais exerçam autoridade sobre essas crianças, para que elas entendam e acolham a situação, pois as crianças com esse tipo de temperamento têm necessidade dessa autoridade, e, quando não a encontram, buscam-na em outros lugares.

A melhor maneira de lidar com uma criança colérica é nunca repreendê-la ou castigá-la, mas sim demonstrar que usou mal a sua capacidade. Ela deve entender a capacidade de dominar suas próprias potências, de controlar a própria força e usá-la para o bem. Ao invés de apontar o que a criança fez de errado, o melhor é explicar a ela como poderia ter agido corretamente. 

Quando não se sente valorizado por suas potencialidades, o colérico pode passar por crises de autoestima. Contar com a criança para ajudar em tarefas diversas fará com que ela entenda que você é o líder e ela é uma sub líder, que precisa de ajuda, ou seja, não é autossuficiente. Não tenha medo de exigir de uma criança colérica: elas só ficam bem e de fato evoluem quando exigimos delas. Ofereça exemplos de heroísmo, de conquista e de vitória, para influenciá-las positivamente.

– por Monique Osawa

NA PRÓXIMA SEMANA FALAREMOS DO TEMPERAMENTO SANGUÍNEO