A realidade, os mitos e os desafios de realizar o papel da escola em tempos de pandemia, sob a ótica da Educação Personalizada

Esses tempos de pandemia e de isolamento social, com a suspensão das aulas e o trabalho remoto, têm gerado muitos questionamentos e desafios para as famílias.

Com o objetivo de estreitar ainda mais os laços que nos unem, partilhar vivências e buscar soluções para os desafios diários, o Navegantes promoveu na última semana de maio um encontro entre as famílias e a Direção Educacional, Coordenação Pedagógica e a docente de cada turma da escola.

O tema que foi tratado se referia à realidade, os mitos e os desafios de realizar o papel da escola em tempos de pandemia, sob a ótica da Educação Personalizada.

Foram momentos nos quais os participantes partilharam seus sentimentos e atitudes frente a toda essa situação.

Foi reconfortante perceber que todos estamos vivendo circunstâncias e sentimentos muito similares e, no meio de todo esse mar de alegrias e desafios, incertezas e soluções, medo e confiança, apontamos algumas dicas muito importantes que desejamos sejam úteis a você, querido leitor, para que chegue a bom porto quando tudo isso passar.

O primeiro desafio que foi compartilhado diz respeito às fases do luto pelos quais todos estão passando, e, claro, as crianças em especial. Nas primeiras semanas tudo foi festa, novidade e alegria. Depois, as crianças alternaram entre rebeldia, raiva, tristeza, barganha. O relato da saudade dos amigos e da escola encheu o coração dos pais de compaixão e um sentimento de impotência.

O que fazer?

Em momentos assim é muito importante conversar sobre os sentimentos. Reconhecer e validar cada sentimento da criança e conversar sobre o próprio sentimento é uma forma de integrar o cérebro de nossos pequenos marinheiros, ajudando-os a perceber o que está causando essa tempestade de emoções dentro de si. Portanto, a dica aqui é: fale sobre os sentimentos.

Outro desafio dos pais é o de “fazer o papel de professor”. Muitos se sentem impotentes diante desse desafio que a situação lhes impôs.

O que pensamos sobre isso?

O pai e a mãe não são os professores da criança. A criança não está no ambiente escolar, com o qual ela está acostumada. Claro que ela vai resistir. Também poderá se mostrar mais dispersa e interessada em brincar com outras coisas.

Sugerimos que os pais não forcem a criança. Já estamos vivendo tanto desgaste emocional devido a todas essas mudanças que aconteceram de forma tão brusca. Não precisamos de mais desgaste, certo? Claro que os pais se preocupam com o desenvolvimento da dimensão intelectiva da criança, mas, há tantas oportunidades para que se desenvolvam as esferas afetivas e transcendentais: os princípios e valores pelos quais a família se pauta e que vão se manifestando de forma concreta no dia a dia vivido em família.

Os pais podem ter acesso aos conteúdos que estão sendo passados pelos professores e, então, podem escolher formas mais apropriadas para o passarem de modo mais natural e inserido no contexto familiar.

As famílias que conseguiram instituir algum tipo de rotina e combinados estão tendo mais sucesso no acompanhamento das atividades das crianças.

Lembremos que a rotina é como uma luva que se encaixa na mão: cada família deve ter a sua e o que funciona para uma não precisa, necessariamente, funcionar para outra. O convite é que você descubra o que será mais eficaz para vocês e coloque em prática com leveza e confiança.

Também foi interessante a vivência de algumas famílias que têm mantido o contato do filho com os amiguinhos de sala através de chamadas de vídeo. Nossas queridas professoras também começaram, essa semana, a ligar para cada criança, individualmente, para uma conversa gostosa e cheia de novidades e encorajamento. Os pais já têm partilhado o quanto esses momentos têm feito bem para os pequenos e, da mesma forma, nossas professoras relatam como ficam felizes com cada uma dessas conversas.

Por fim, queremos lembrar a todos que esse momento em que estamos partilhando o tempo em família de forma integral é uma grande oportunidade para conhecer bem seu filho – suas possibilidades e, também, suas limitações. Deste modo, torna-se muito possível estabelecer um projeto pessoal de desenvolvimento nas várias dimensões: física, intelectiva, afetiva, social e, também, na transcendental. Além disso, essa vivência é uma grande oportunidade para se trabalhar a educação da vontade, lembrando que essa é o fundamento principal da formação da pessoa, e se faz através da aquisição de valores, bons hábitos e virtudes.

Portanto, desde a ótica da Educação Personalizada segundo a qual os pais são os protagonistas da educação de seus filhos e na qual a criança é vista como indivíduo único, um ser humano que dever ser valorizado em todos os aspectos, esse tempo de pandemia pode soar como um convite para uma rica e inesquecível vivência.

É isso que desejamos a todos: que saiamos dessa “melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo”, como diz a canção!